Júlia Adele Dutra Olivier
Assessora de comunicação e estudante de jornalismo

23 de junho de 2021

No dia 23 de junho é comemorado o Dia Internacional da Mulher na Engenharia. Essa data foi criada pela Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido, com o objetivo de fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão.

A luta da mulher na engenharia não é apenas de melhores condições de trabalho, mas, também, de reconhecimento e valorização, direitos trabalhistas igualitários e mais respeito como profissional. Porque, historicamente, as mulheres sempre foram afastadas das áreas de exatas e isso se seguiu por muitos anos. A primeira mulher a se formar na engenharia no Brasil foi Edwiges Maria Becker Hom’meil em março de 1917.

Então, para representar as mulheres engenheiras, a estudante de jornalismo, Júlia Adele, voluntária do Engenheiros Sem Fronteiras – Núcleo Divinópolis, entrevistou mulheres do ramo para contar um pouco da sua história, os desafios e seus incentivos para continuar atuando na área.

A PRESENÇA FEMININA NAS ENGENHARIAS:

As mulheres possuem pouco incentivo para trilhar nos caminhos no ramo científico e tecnológico, justamente pela Ciência Exata ser taxada como uma área “masculina”.  E quando há maior presença feminina, elas estão nas engenharias biológicas.

De acordo com os dados levantados pelo Censo da Educação Superior de 2017, as áreas que mais tinham mulheres eram Engenharia de Alimentos, com 62,9%, Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia (59,4%), Engenharia Têxtil (53,6%), Engenharia Química (50,8%), Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente (50,4%) e Engenharia Ambiental e Sanitária, com 50,2%.

Já nas engenharias mais tradicionais, a presença feminina despenca como Engenharia de produção, com 30%,  Engenharia civil (28,1%),  Engenharia de Controle e Automação (12,1%), Engenharia Elétrica (11,7%), Engenharia de Software (11,6%), Engenharia Mecânica (9,8%) e Engenharia Automotiva, com 5,8%.

Segundo a entrevistada Raiane, estudante de Engenharia Civil, ao ser questionada se havia presença feminina durante o seu curso, ela relatou “essa é uma coisa muito interessante; porque no início do curso, mais ou menos até o terceiro período, a presença feminina era mínima. Acredito que porque foi os períodos iniciais, os períodos comuns de todas as engenharias, eu era uma das únicas meninas da sala, ou era eu e mais outras duas meninas e uns 40 meninos.”

Mas quando os números se invertem chama a atenção, como foi relatado pela estudante de Engenharia Civil, Aléxia, “a minha turma foi um pouco atípica. Na nossa turma entrou mais mulheres do que homens e agora está meio a meio. Mas, assim, nossa turma foi bem mais mulheres do que homens.”

AS MULHERES OCUPANDO O SEU ESPAÇO:

O número de mulheres que procuram a engenharia como profissão vem aumentando significativamente desde 2016, mas vale lembrar que a igualdade de gênero na área ainda não foi atingida.

De acordo com o Confea, o aumento da mulher na engenharia foi de 42% entre 2016 e 2018. “As mulheres estão conseguindo o seu espaço, mas tem que pegar mais puxado”, afirma a estudante de engenheira civil Rafaela. 

Embora as desigualdades ainda sejam grandes, as mulheres olham com otimismo para o futuro: “Eu tenho um otimismo muito grande em relação a isso, e eu acho que aos poucos, […] eu acho que vai ser lento, mas num tempo há médio e longo prazo vai mudar isso”, diz Michelle de Paulo.

O sentimento por ver esse aumento e essa conquista de espaço que as mulheres estão tendo é muito grande segundo a estudante de engenharia de produção Maria Luyza, “eu fico feliz, porque eu vejo que nós mulheres temos que nos unir, conquistar o nosso espaço. Mostrar que não são só os homens que mandam no pedaço.”

OS DESAFIOS ENFRENTADOS:

São muitos os desafios enfrentados pelas mulheres na engenharia, entre eles há o assédio, a falta de incentivo, a dificuldade da inserção no mercado de trabalho, os salários desiguais e a falta de respeito dos homens com as mulheres.

Segundo a engenheira mecânica Marina Rodrigues a desigualdade salarial é presente: “na empresa anterior que eu trabalhava tinha uma técnica que ela tinha a mesma formação que os outros técnicos e ela recebia bem menos, ela recebia para técnico júnior enquanto os outros recebiam para técnico eletrônico.”

Já a dificuldade na inserção no mercado de trabalho é muito grande, principalmente para as engenheiras mecânicas; “[…] fiquei dois anos procurando emprego na metalurgia que era o que eu queria e muitas empresas não me contratavam porque eu sou uma mulher. […] Eu vi amigos meus se candidatando para as mesmas vagas que eu e eles conseguindo o emprego sendo que nós dois temos as mesmas informações”, relatou Marina Rodrigues. Contudo, na engenharia civil também há essa dificuldade de ser chamada para as vagas, assim como a Michelle de Paulo informou: “Eu tive uma experiência desagradável recentemente com isso, que eu mandei o meu currículo e não fui chamada. Foi assim, enviei o meu currículo pelo site vagas e encerraram o processo da vaga por lá, e aí entraram em contato com a minha faculdade para eles divulgar a mesma vaga e nisso dois caras da minha sala foram chamados. Então eu entendi que eles queriam estagiários homens.”

Nós do Engenheiros Sem Fronteiras – Núcleo Divinópolis realizamos uma pesquisa com as mulheres engenheiras para apurar os índices de assédio. Essas engenheiras responderam conforme suas vivências e 60,71% dessas mulheres já sofreram assédio na vida acadêmica ou profissional; dentre elas, apenas 28,57% tomaram providências contra esse ocorrido. As 71,43% das mulheres que sofreram assédio mas que não tomaram providências relataram que foi por vergonha e insegurança (os dados podem ser analisados no gráfico ao lado).

O mercado de trabalho para as mulheres é muito hostil, principalmente dentro da engenharia que é predominantemente masculino. A dificuldade dos homens de respeitar e seguir ordens vindas de uma mulher são relatadas por 90% das entrevistadas.

Aproveite todas as oportunidades que surgirem, porque é por meio dessas oportunidades, quando a oportunidade se encontra com o nosso empenho, o sucesso é 50% ou 80% garantido, então aproveite todas as oportunidades, estude, faça projetos de pesquisas, converse com os professores, aproveite o networking dentro das universidades e com as outras pessoas, ou ONGs como os Engenheiros Sem Fronteiras, trabalhe com a empresa junior da faculdade. Aproveite. Oportunidades, porque se estiver de acordo com a sua dedicação, você terá sucesso.
Raiane
Engenheira Civil
Pra mim é, não para de sonhar, não acredita no que os outros falam que é coisa de homem ou que não vai dar conta. Tem que continuar, tem que persistir, porque todo mundo tem muito potencial, principalmente as meninas tem muito potencial. Eu vejo muito potencial em muitas pessoas que desistem.
Aléxia
Engenheira Civil

ENTREVISTA COMPLETA:

EM BREVE A ENTREVISTA ESTARÁ NA ÍNTEGRA! 

EM BREVE A ENTREVISTA ESTARÁ NA ÍNTEGRA!

Aléxia: Eu faço engenharia Civil, estou no 7º período e faço estágio na área.

Júlia: O que te levou a cursar essa área?

Aléxia: Quando eu entrei no ensino médio, eu queria muito fazer algo relacionado a matemática, porque eu gostava muito de matemática. E então eu conheci a física que foi outra matéria que eu gostei bastante. E então eu pensei em fazer alguma engenharia, porque engenharia é física, né? E, aí no final de tudo eu decidi a civil mesmo, porque foi a que mais me atraiu mesmo, a questão de construir, projetar pra mim também é bem interessante.

Júlia: Quem ou qual foi o seu maior incentivador?

Aléxia: Foi a minha mãe, ela é professora da área, ela é formada em física. E desde quando eu falei que gostaria de fazer alguma coisa de exatas, ela sempre me apoiou. E quando eu falei em engenharia, e ela dá aula na engenharia, foi nó, pra ela foi um sucesso.

Júlia: Durante o seu curso houve muitas mulheres?

Aléxia: Sim, a minha turma foi um pouco atípica. Na nossa turma entrou mais mulheres do que homens e agora está meio a meio. Mas, assim, nossa turma foi bem mais mulheres do que homens.

Júlia: E professoras, você teve muitas professoras durante o curso?

Aléxia: Eu não diria muitas, mas pelo menos uma a cada período a gente teve.

Júlia: Atualmente você está fazendo estágio, você acha que foi fácil conseguir ele?

Aléxia: Na verdade eu acho que foi fácil, porque praticamente só tinha eu procurando a vaga, a minha cidade é pequena, então não houve muita gente procurando o estágio. Mas acho que se houve outras pessoas, talvez eu não teria conseguido.

Júlia: Até hoje qual é ou foi o maior desafio já enfrentado?

Aléxia: Pra mim, eu acho que o maior desafio foi ser subestimada. A pessoa te vê no curso de engenharia, uma menina, uma mulher, aí te olha e fala “você se garante mesmo? Uma mulher? Não, não.” E um detalhe, na minha turma, as pessoas que tiram as maiores notas, não que isso defina inteligência, mas são as meninas. Nos trabalhos, tem dois grupos de teams, que é o trabalho de conclusão de curso, tem o meu grupo que sou eu e os meninos e tem o trabalho da Rafa que é ela e as meninas, o melhor trabalho que está tendo é o delas, o mais elogiado e o mais bem desenvolvidos.

Júlia: Você sente que os homens sentem dificuldades de receber ordens?

Aléxia: Sim, nossa, principalmente na minha turma. E é bem assim, de você dar uma ordem, na realidade não é nem uma ordem, mas a gente já teve discussões na sala de aula de você está mais certa que o outro e o cara vai e te diminui até a 10º geração te chamando de burra.

Júlia: Por vivermos num país muito machista, você sente que as mulheres estão conquistando os seus espaços?

Aléxia: Aos pouquinhos, mas acho que sim. Está sendo difícil sim. Mas está conquistando sim.

Júlia: Como você se sente sabendo que as mulheres estão cada vez mais procurando a engenharia como profissão?

Aléxia: Eu me sinto orgulhosa, representada, me sinto parte disso. Pra mim é muito emocionante saber que tem muitas mulheres, muitas meninas procurando. Até pouco tempo atrás “tá doida? Isso é coisa de homem.”

Júlia: O que você aprendeu sendo uma mulher na engenharia?

Aléxia: Tem que aprender a ser firme, e ter muita opinião firme; porque se você não se impor, quem vai? Então tem que ter muito pulso firme.

Júlia: O que te dá mais orgulho?

Aléxia: É ver as outras meninas comigo, a Rafa, as minhas amigas, tudo junto comigo.

Júlia: Uma mulher que te inspira?

Aléxia: Tem várias, tem a minha mãe. De famoso tem as meninas do Little Mix, desde sempre acompanho elas, tem uns 10 anos que eu acompanho elas. Mas tem muitas outras que eu admiro muito.

Júlia: Alguma pergunta que você gostaria de fazer para a próxima entrevistada?

Aléxia: Alguma situação constrangedora que a pessoa já passou, como se sentiu sobre.

Eu acho que nunca passei por uma situação assim, mas teve uma vez que eu estava fazendo estágio em uma outra empresa, uma empresa de estrada governamental, e o engenheiro nunca me levava pra fazer vistoria, nem nada; porque ele me dizia que era para eu não sujar o meu pé.

Júlia: Uma frase para as futuras engenheiras;

Aléxia: Pra mim é, não para de sonhar, não acredita no que os outros falam que é coisa de homem ou que não vai dar conta. Tem que continuar, tem que persistir, porque todo mundo tem muito potencial, principalmente as meninas tem muito potencial. Eu vejo muito potencial em muitas pessoas que desistem.

Júlia: Atualmente você é graduanda ou formada?

Raiane: No momento eu ainda faço faculdade, tô no 8° período de engenharia civil, quase formando.

Júlia: O que te levou a cursar essa área, a engenharia e, específicamente a civil?

Raiane: Eu gostei muito da Engenharia Civil, porque, primeiramente, foi por causa da possibilidade de aplicar a ciências exatas em algo concreto. Desde o ensino médio eu gostava muito de estudar química, física, física sobretudo, sabe? E também matemática. Quando verifiquei que havia uma ciência na qual eu poderia também trabalhar também com a realização de sonhos das pessoas, que eu acho uma coisa muito interessante, uma responsabilidade social. Assim como também eu poderia trabalhar com o fato de melhorar a infraestrutura da sociedade, que sempre quando eu passava na rua observava as construções, as grandes pontes e tudo mais. Então essa união de querer aplicar o que eu conheci e estudei juntamente com essa responsabilidade social, eu achei interessante e muito válido.

Júlia: Por falta de apoio muitas meninas acabam desmotivando a seguir na área da engenharia. Então, o que foi ou quem foi o seu maior incentivador para continuar e iniciar essa jornada na engenharia civil?

Raiane: Olha, eu posso dizer que foi a minha mãe, ela sempre esteve presente comigo nessas decisões. Eu lembro que quando estava, ainda, no segundo ano do Ensino Médio ela disse: “Raiane, você sempre gostou bastante da engenharia civil”, ela também me sugeria muito a questão da administração. E sempre me apoiou nessa questão. Eu moro com a minha mãe, então, somente eu e ela, e ela sempre esteve ao meu lado falando “se você quer, você vai, você consegue” e ela foi a figura principal pra que eu pudesse entrar na engenharia civil.

Júlia: A presença feminina, em 2017, era de 28, 1%, de acordo com o Confea. Durante o seu curso você teve muitas colegas de classe, conheceu muitas mulheres da engenharia? Como foi essa relação?

Raiane: Essa é uma coisa muito interessante; porque no início do curso, mais ou menos até o terceiro período, a presença feminina era mínima. Acredito que porque foi os períodos iniciai, os períodos comuns de todas as engenharias, eu era uma das únicas meninas da sala, ou era eu e mais outras duas meninas e uns 40 meninos. Uma diferença absurda. E com o decorrer com o curso, com esses ajustes, com as aulas remotas, eu notei essas presenças maiores das meninas. E até mesmo dentro das novas turmas da UEMG, que eu estudo na UEMG, Universidade Estadual De Minas Gerais, eu percebo a inserção de mais meninas, e isso tem me motivado bastante, tanto na engenharia civil, engenharia de produção e da computação, que nós temos lá, muito legal, né?

Júlia: As docentes do Brasil nas faculdades estaduais e federais na área da engenharia são de 16,76%, a maioria na área de biológicas. Com isso, você tece mais professores homens ou mulheres?

Raiane: eu tive mais professores homens, pra corroborar com essa pesquisa, olha só. Nesse período eu acredito que tenho apenas uma professora, isso, apenas uma professora mulher, nos outros eu acredito que tive mais outras quatro professoras apenas, em disciplinas distintas.

Júlia: E essas que você teve foram mais, por exemplo, quando você entra na faculdade tem português e umas disciplinas assim. Elas eram mais da engenharia ou dessas outras áreas?

Raiane: No início da faculdade eu tive uma professora de português, também tive uma engenheira mecânica que foi, e eu posso falar para você que ela foi uma inspiração pra mim, que ela foi no primeiro período e eu fiquei muito empolgada, porque ela deu pra nós metodologia científica e também introdução à engenharia civil e ética profissional. Aquilo me motivou demais, porque uma engenheira mecânica num curso de engenharia civil, contando a sua história, eu achei muito bom. Mas de certa forma, como você disse, tem muito mais homens do que docentes mulheres.

Júlia: Qual é a área que você quer seguir, ir para a área acadêmica, canteiro de obras, qual é a que você quer seguir?

Raiane: Eu tenho pensado bastante e até agora eu não defini, porque eu tive contato com varias áreas da civil, mas o que mais me chamou mais a atenção foi a parte das estradas, eu gosto dessa parte de infraestruturas viária, eu gosto dessa parte macro. Assim como eu me identifiquei com a parte da drenagem urbana, essa questão do planejamento urbano, eu gostei muito.

Júlia: E você faz estágio?

Raiane: Eu faço estágio, é remoto, infelizmente, devido as condições. Trabalho em alguns projetos com uns professores da universidade também. Mas antes eu também já fiz, trabalhei em chão de obra e, também, já trabalhei em algumas empresas públicas. Tô somando umas experiências tentando definir essa área que eu gosto.

Júlia: E foi fácil conseguir esses estágios?

Raiane: Essa é uma parte que de fato não tive facilidade para conseguir. A pandemia começou no final do meu 5° período da universidade. Então, as limitações começaram a ficar mais intensas a partir daí, que foi quando eu precisava de um estágio, 5° período te dá uma base boa para já trabalhar na prática e eu não conseguia. Aquilo era uma sensação muito ruim que é você tentar, tentar e não conseguir, mas eu continuei até conseguir um estágio não remunerado, agora estou com esse que é obrigatório. Mas fácil não foi.

Júlia: Qual foi o seu maior desafio já enfrentado desde o início da faculdade, até conseguir um estágio, qual foi o maior que você enfrentou?

Raiane: Acredito que o maior desafio partiu de mim, as vezes a gente impõe umas limitações no curso, de forma que algumas disciplinas são muito complexas, é um curso que tem uma carga horária muito extensa, e as vezes a gente se vê pensando “será que vou conseguir lidar com isso tudo?”. Ao mesmo tempo que você está 100% empenhado, motivado, você está, também, um pouco desanimado diante das dificuldades. Então o maior desafio é esse de todos os dias, manter a persistência, manter o foco para que a gente possa continuar firme no curso, porque é um curso muito pesado, a gente precisa estudar, trabalhar, fazer estágio. Eu diria que é isso.

Júlia: Você repara que existe mais barreiras para as mulheres do que para os homens no âmbito da engenharia?

Raiane: Eu não diria de modo geral, mas vejo que acontece, acontece muito, por exemplo, ainda temos o tradicionalismo da profissão, os homens sempre tiveram maior protagonismo na engenharia civil e nas ciências exatas e eu acredito que exista muito mais barreiras. Eu penso, como posso exemplificar, conversei com uma moça, eu gosto de verificar como funciona a engenharia em vários outros lugares, sou muito comunicativa, sabe? E eu conversei com uma moça do Reino Unido, engenheira civil também, gostei de trocar experiência, e ela me contou que essa inserção das mulheres na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática, ela é cheia de desafios, em todas as profissões, independente do sexo, é cheio de desafios, mas para as mulheres é mais complicado; porque vem de um histórico passado, de que mulheres não assumiam esses cargos ou as que assumiam eram poucas e tinham mais barreiras. Então tem muito ainda a se vencer, eu acredito.

Júlia: Você sente que os homens têm mais dificuldades de respeitar as mulheres ou seguir ordens vinda de uma mulher?

Raiane: Não de modo geral. Acredito que esse sentimento está um pouco atrelado um pouco ao caráter. Mas acontece, e já experimentei situações assim. As vezes o modo de falar ou como você se posiciona pra dar uma opinião e não é ouvida. Na graduação isso não aconteceu, o pessoal é mais tranquilo, mas no ambiente de trabalho em si, eu vejo por meio de notícias ou de relatos de pessoas que é mais recorrente do homem dar um passo para trás ao ouvir que é uma ordem feminina.

Júlia: Por vivermos num país muito machista, você sente que as mulheres estão conquistando o seu espaço, não só na engenharia, mas em um âmbito geral, há mais mulheres para se inspirar?

Raiane: Eu sinto. Foi um dos motivos pelos quais eu entrei para a engenharia, poque eu não vi como uma limitação por ser muito estereotipada pra homem, mas eu sinto que de fato há pessoas motivadoras, eu tenho entrado em contato com outras pessoas nas redes sociais e tenho trocado experiências para me dar motivação, pra continuar seguindo atrás dos sonhos.

Júlia: O que você sente sabendo que há algumas meninas que olham para a engenharia e cogitam como um caminho para ser trilhado e como você se sente sabendo faz parte desse exemplo a ser seguido?

Raiane: Me sinto muito entusiasmada e também seria muito bom representar essa parte da engenharia civil, sobre tudo, porque estou inserida nela, e inspirar outras pessoas a seguir o caminho, a ir para a profissão, enfrentar os desafios e as resoluções de problemas constantes que nós temos e trata-los como oportunidades, tentar incentivar essas pessoas.

Júlia: Qual foi o seu maior aprendizado?

Raiane: Eu aprendi que preciso trabalhar em conjunto, em equipe, se não as coisas não funcionam. Anteriormente, no Ensino Médio, eu gostava de trabalhar sozinha. Então eu aprendi a lidar com grupos, com pessoas diferentes, contatos com clientes, isso é importante. Para a minha vida eu tenho que levar. A engenharia não se faz sozinha, sempre tem que pensar nas pessoas que estão te ajudando, nas pessoas que estão superiores de você, no caso do seu chefe. Então aprendi esse censo de trabalho em equipe.

Júlia: Qual foi a maior gratificação que a engenharia já lhe proporcionou?

Raiane: A maior gratificação foi passar nesse processo, de entrar na universidade e de passar por essas etapas de matérias difíceis, e eu posso dizer que no 4º período e no 6º período as matérias estavam muito complexas e quando eu chego no 8º e olho para trás penso: gente eu passei por isso tudo, por todas essas matérias e por todas essas dificuldades, tô quase formando. Então, pra mim isso é uma superação, porque a gente acredita na gente e a gente acredita que pode fazer isso. As matérias são muito complexas, as partes de materiais, de teorias das estruturas. E superar isso todo e olhar pra trás e saber que eu que fiz e tá dando certo.

Júlia: Qual é a mulher que te inspira?

Raiane: Olha tem uma engenheira que se formou em engenharia civil, em 1945, lá pela UFPR, o nome dela é Enedina Alves Marques. Ela é muito inspiradora, porque ela veio de uma família muito humilde e por ser a primeira engenheira mulher e negra do país, eu acho que isso é um avanço excepcional, no ano em que ela se formou, na época da Segunda Guerra Mundial, um ambiente totalmente diferente do que a gente vive hoje. A história, com muita inteligência, disciplina e esforço ela conseguiu se formar. Participou de obras de infraestrutura do Paraná, pra mim isso é maravilhoso, até hoje tem lá a hidrelétrica que ela participou e ajudou a construir. Então pra mim a Enedina é uma grande inspiração.

Júlia: Uma pergunta que você gostaria que eu tivesse te feito, mas que não fiz e que farei para a próxima entrevistada.

Raiane: Uma frase que inspira a pessoa. E eu posso falar uma que me inspira bastante, que é da Simone de Beauvoir, e ela fala muito sobre as questões das limitações, no que tange a liberdade também. Por exemplo, nada nos define e nada deve nos restringir, nos sujeitar. Devemos trabalhar essa nossa liberdade de modo que a gente conquiste o nosso espaço, poque nós somos livres, Sartre já dizia isso. E a proposta, só falando um pouco de vocês, do Engenheiros Sem Fronteiras, que eu espero poder participar um dia também, eu gostaria muito. Essa proposta do Engenheiros Sem Fronteiras, esse nome me chama muito a atenção, que eu sigo as redes de vocês também, e vejo que sem fronteiras, não há limitações pra gente, colaborando com essa frase que eu falei. E a gente tem que nos preparar, estudar, seja homem ou mulher, porque o nosso espaço a gente conquista, disso eu tenho certeza, sempre vai ter oportunidade para quem busca e para quem corre atrás.

Júlia: Agora eu gostaria que você falasse uma frase para inspirar uma menina que está no terceiro ano pensando na Engenharia, qual seria?

Raiane: Eu gostaria de deixar uma frase em forma de mensagem para essa menina. Aproveite todas as oportunidades que surgirem, porque é por meio dessas oportunidades, quando a oportunidade se encontra com o nosso empenho, o sucesso é 50% ou 80% garantido, então aproveite todas as oportunidades, estude, faça projetos de pesquisas, converse com os professores, aproveite o networking dentro das universidades e com as outras pessoas, ou ONGs como os Engenheiros Sem Fronteiras, trabalhe com a empresa junior da faculdade. Aproveite. Oportunidades, porque se estiver de acordo com a sua dedicação, você terá sucesso.

EM BREVE A ENTREVISTA ESTARÁ NA ÍNTEGRA!

Júlia: Atualmente você é formada ou graduanda?

Marina: Eu sou formada em engenharia mecânica.

Júlia: O que te levou a cursar a engenharia mecânica?

Marina: Eu sempre gostei da área, eu fiz alguns cursos técnicos no SENAI, aqueles cursos de aprendizagem, fiz um de ajustagem mecânica gostei bastante e aí eu continuei fiz mais cursos, fiz técnico em mecânica e então eu parti para a engenharia. Eu gosto muito da transformação que a engenharia traz de transformar uma matéria prima bruta em algo útil.

Júlia: Qual foi o seu maior incentivo?

Marina: Foi o meu pai, ele faleceu há muitos anos, eu tinha 8 anos, mas ele era muito bom no que ele fazia e ele era mecânico. Então eu não tinha esse sonho de ser mecânica e depois que eu fiz os cursos eu vi o quanto que isso foi motivador e um impulso para mim. E, também, eu tive algumas pessoas durante os cursos técnicos, alguns que eram mais velhos conversavam comigo demais e falavam que era a minha cara, é a sua área, é o seu jeito, e isso foi me dando mais impulso.

Júlia: Qual foi a relação do curso com colegas mulheres?

Marina: Durante toda a minha jornada 90% eram homens, tanto na faculdade quanto no técnico, que eram eu e mais duas. Então, a maioria deles foram homens, eu convivi com homens e hoje tô em transição de empregos, mas o meu antigo e o meu atual emprego a maioria eram homens.

Júlia: Enquanto a docentes?

Marina: Era bastante meio a meio, mas a maior parte eram homens, mas as mulheres que tinham eram duas da parte técnica, inclusive uma eu me espelho muito nela em questão de carreira, e as outras duas eram de psicologia e a outra era de português. Mas essas duas da parte técnica eram matérias bem complicadas.

Júlia: Atualmente você atua na sua área?

Marina: Eu estou ingressando na área, na verdade não na área da mecânica em si e sim na metalurgia que é uma coisa que eu gosto mais que a mecânica. Então eu tô ingressando numa função, comecei tem uma semana, e eu trabalho diretamente na produção, no laboratório que fica no meio da produção. E eu já percebi que no meio da produção há apenas três mulheres no turno do dia, o restante é tudo administrativo, de qualidade.

Júlia: Qual foi o seu maior desafio já enfrentado durante toda a sua trajetória?

Marina: Eu acredito que pra mim o maior desafio foi me formar em mecânica, porque eu passei muito perrengue de estudos, porque eu tinha que estudar e trabalhar, então não consegui fazer estágio. E também um pouco a relação com as pessoas que a gente tá cursando, porque a gente realmente fica bastante receosa, hoje sei lidar bem melhor, mas no início como o ambiente é bem masculino, as pessoas acham que você não consegue fazer aquele tipo de serviço, por exemplo, vou operar um torno algumas pessoas já falaram pra mim “deixa que eu faço isso pra você, pra não se machucar, pra não quebrar a unha”, eu não tô nem aí pra minha unha, quero aprender a fazer. Com o tempo eu fui fazendo um grupinho de amigos que eles foram me impulsionando, me ensinavam, me deixavam fazer. Eu tive um pouco de dificuldade com isso, você precisa ficar se provando e correr muito atrás.

Júlia: Você acha que encontrou muito mais obstáculos do que os homens?

Marina: Sim, eu tinha até um professor no técnico que deixava as mulheres sentadas enquanto os homens podiam operar as máquinas. Outra, emprego, eu troquei de emprego agora, mas fiquei dois anos procurando emprego na metalurgia que era o que eu queria e muitas empresas não me contratavam porque eu sou uma mulher, só fui contratada agora, porque no processo seletivo eram 75 pessoas e apenas três foram selecionadas, e na prova eram cinco pessoas e só eu era mulher e eu consegui a vaga, lá eles estavam procurando mais perfil. Eu fiquei dois anos procurando emprego. Eu vi amigos meus se candidatando para as mesmas vagas que eu e eles conseguindo o emprego sendo que nós dois temos as mesmas informações.

Júlia: A engenharia é muito masculina, você acha que é num âmbito geral que há mais homens dentro da empresa ou só na engenharia?

Marina: É no setor da engenharia, porque nos setores organizacionais são mais mulheres, almoxarifado, administração, RH, compras, quando se trata em vagas de emprego organizacionais eles focam mais em mulheres. Na área da engenharia são mais homens, tinha um site de RH que eu olhava sempre e tinha lá as vagas de analista de laboratório, analista de processos que são coisas que eu conseguia fazer e era assim ‘sexo: masculino, masculino, masculino’ e para mulher eram analista de RH, recepcionista, auxiliar financeiro e não era nada que eu tinha formação. Mas tá mudando, eu vejo bastante mudança na área de TI e até na empresa que eu estou agora, o que eu achei mais interessante foi o meu supervisor ter chegado para o pessoal que vai me treinar e falar assim “olha pessoal, eu sei que é estranho ter uma mulher aqui, ela é uma mulher, mas vai ter que aprender como fazer o serviço” e eles estão me ensinando da mesma forma.

Júlia: Você já vivenciou salários desiguais?

Marina: Sim, eu já vivenciei. Na empresa anterior que eu trabalhava tinha uma técnica que ela tinha a mesma formação que os outros técnicos e ela recebia bem menos, ela recebia para técnico júnior enquanto os outros recebiam para técnico eletrônico. E eu já vi diferença de salários assim, no final do ano passado eles aumentaram o salário de todo mundo e eu percebi que aumentaram os salários dos técnicos cerca de 700 reais para eles e para nós mulheres de administração foi cerca de 300 e 400 reais, porque para eles os técnicos são mais da empresa e receberam benefícios e tal, mas se vai aumentar o salário de todo mundo que seja igual.

Júlia: Sente que os homens sentem uma resistência maior para receber ordens de mulheres?

Marina: Na outra empresa eu não senti. Ainda não vivenciei algo assim ainda. E nessa nova empresa eu sinto que não deve ter, porque lá tem mulheres líderes e vejo todo mundo respeitando direitinho.

Júlia: Por vivermos num país muito machista, você vê que as mulheres estão conquistando o seu espaço dentro da engenharia?

Marina: Com muita luta e bem aos poucos, tá muito devagar. Tem muita mulher boa para trabalhar e que consegue fazer muita coisa, mas não tá conseguindo seguir o seu sonho por falta de oportunidade. Eu acredito que quem tá começando tão indo e estão brilhando por aí.

Júlia: Como você se sente sabendo que faz parte dessa mudança?

Marina: Eu acho maravilhoso, ao mesmo tempo que desanima a gente, empodera mais ainda, porque a gente luta tanto e corre atrás de tanto para trabalhar e conquistar o nosso espaço que eu fico tão feliz quando alguém vira e fala que quer fazer engenharia eu falo para a pessoa “faz, vai ser fácil? Não, mas faz”; porque a engenharia muda a nossa mente, ela tem umas disciplinas que abrem a nossa cabeça, a gente se torna mais prática. Eu acho incrível fazer parte disso, inclusive eu faço parte do CREA Jr daqui de Itaúna – MG, onde a maioria são mulher, então 90% são mulheres, são engenheiras. A pessoa só tem pra ganhar com as mulheres na engenharia.

Júlia: O que você mais aprendeu sendo mulher na engenharia?

Marina: Praticidade é tudo na vida. Você aprender a ser prático, lógico e objetivo.

Júlia: Qual foi a maior gratificação que a engenharia já te proporcionou?

Marina: Eu acho que foi o reconhecimento de toda a minha família, porque na minha família tanto por parte de mãe quanto por pai eu fui a primeira engenheira. Eu tive muito reconhecimento por isso.

Júlia: Uma mulher que te inspira?

Marina: Eu tenho duas, uma foi uma professora, a Tânia, ela trabalhou anos e anos na metalurgia e ela é uma mulher muito respeitada aqui na minha cidade nessa área e a outra, é meio clichê, mas a minha mãe, ela que criou de três filhos pequenos sozinha e tá aí até hoje, sempre se preocupa com a gente antes dela.

Júlia: Uma situação constrangedora que você já viveu?

Marina: Teve um dia, no meu técnico em mecânica ainda, eu fui para o SENAI mais arrumada, porque eu iria sair depois da aula e os meus colegas começaram a brincar “hoje tem, vai sair, hoje tem, hein?” e eu pensei que não posso nem ir mais arrumada. E, também, já vi uma colega minha vivenciar isso que o próprio professor falou isso para ela e ela ficou muito sem graça.

Júlia: Uma frase que te inspira?

Marina: Seja mais que um número. Eu penso muito nessa frase, porque nós somos 7 bilhões de pessoas no mundo, e acho que temos que fazer a nossa vida valer a pena, ser mais de um número é ser uma pessoa, um nome e não um número.

Júlia: Alguma pergunta que você gostaria que eu tivesse te feito?

Marina: Até aonde você quer chegar?

Júlia: Quer responder ela?

Marina: Eu quero chegar num patamar que eu consiga fazer a diferença no lugar que eu estou. Acho que estarei realizada profissionalmente quando eu realizar alguma mudança na empresa que estou.

Júlia: Uma frase para encorajar futuras engenheiras.

Marina: Vai ser difícil, você vai sofrer muito, vai ter que se dedicar muito, mas não desista porque vai valer a pena.

Júlia: Qual é a sua engenharia?

Michelle: Engenharia Civil

Júlia: O que te levou a cursar essa área?

Michelle: Foi por ter afinidade com a matemática. E quando eu tinha 16 anos eu entrei no técnico de edificações e tive mais contato com a prática e com a profissão, tive uma prévia do que seria a engenharia, né? Eu sabia que seria mais complexo, eu fiquei estagiando e assim que eu fiz alguns estágios eu entrei na graduação.

Júlia: Você está gostando do curso?

Michelle: Sim, tô gostando. Assim, é difícil e cansativo, mas tô gostando muito. Já consigo enxergar áreas que eu tenho mais afinidade, apesar de ainda ter muita coisa que eu não vi, né?

Júlia: Qual é a área que hoje você vê que atuaria?

Michelle: Atualmente eu trabalho como projetista, freelancer, eu trabalharia com essa área residencial ou geotecnia.

Júlia: O que seria geotecnia, já que eu não sou da área?

Michelle: É o estudo do solo, é você fazer ensaio de sondagem, saber resistência. E é um serviço necessário para toda obra, toda obra começa com o solo, é a primeira estrutura que você tem ali.

Júlia: Quem foi ou o que foi o seu maior incentivador?

Michelle: Bom, foi o meu irmão que também faz engenharia a mais tempo do que eu, já está quase formando. E na verdade eu me inspiro em pessoas que eu vejo na internet, porque eu não tive uma pessoa que me incentive de perto, então geralmente eu me inspiro nelas, no LinkedIn ou no Instagram.

Júlia: Você teve bastante colegas mulheres?

Michelle: Não muitas, nem sempre a gente tá com a mesma turma, algumas matérias que varia um pouco as pessoas. Tem matéria que tem três mulheres, algumas que tem uma mulher. Mas eu acho que a média são cinco mulheres.

Júlia: E docentes da área da engenharia?

Michelle: Na área da engenharia eu não tive nenhuma professora, as professoras que eu tive foram do ciclo básico, de cálculo, de álgebra, mas de engenharia não.

Júlia: E atualmente você trabalha na sua área?

Michelle: Bom, eu trabalho como projetista e com orçamento, também. Geralmente com parceria de outros profissionais da área, mas ainda não consigo viver disso. E estou no processo de estágio.

Júlia: Qual foi o seu maior desafio já enfrentado?

Michelle: O maior desafio foi a inserção prática. Por exemplo, você falou de estágio, eu tô muito ligada nisso, sempre estou de olho em vagos, envio o meu currículo. Eu tive uma experiência desagradável recentemente com isso, que eu mandei o meu currículo e não fui chamado. Foi assim, enviei o meu currículo pelo site vagas e encerraram o processo da vaga por lá, e aí entraram em contato com a minha faculdade para eles divulgar a vaga e nisso dois caras da minha sala foram chamados. Então eu entendi que eles queriam estagiários homens. Eu tenho curso técnico, o que seria um diferencial, conheço os dois meninos que foram chamados, e eles não tinham uma coisa tão disparada para serem chamados.

Júlia: Você acha que a mulher sofre mais obstáculos do que os homens?

Michelle: Acho que sim, acredito isso deve partir tanto dos recrutadores quanto de uma cultura em geral. Então eu acredito que muita gente prefere contratar um engenheiro do que uma engenheira, então essa mancha que nós temos do machismo dificulta bastante.

Júlia: Você já vivenciou salários desiguais entre homens e mulheres?

Michelle: Ah, com certeza, já senti sim.

Júlia: Os homens sentem resistência para seguir as ordens das mulheres?

Michelle: Bom, eu reparei isso no primeiro período; porque inicialmente eu sou um pouco tímida, só que para apresentar trabalho eu consigo falar tudo, e aí quando era trabalho em grupo, eles ouviam as opiniões de todo mundo e não levavam muito a minha opinião a sério, aí eu notei que depois que eu me provei um pouco por nota, por mais que nota não mede ninguém, mas eu notei que teve uma situação assim no início do curso.

Júlia: Por vivermos num país muito machista, você acha que as mulheres estão conquistando o seu espaço?

Michelle: Acho que sim, muito devagar, mas acho que sim.

Júlia: O que você sente sabendo que você faz parte dessa mudança?

Michelle: Eu sinto que quando eu estiver na posição de realmente encontra alguém para trabalhar comigo, eu não vou medir as pessoas como eu já fui medida, com certeza não, então isso me dá essa posição de poder ativamente ajudar nessa parte. Tinha um professor meu que falava uma frase ‘quando a gente é subestimada, há uma chance da gente se superar’, então eu acredito muito nisso, eu acho que a gente mostrando resultado, chega uma hora que é impossível de não dar certo.

Júlia: O que você aprendeu ou aprende sendo mulher na engenharia?

Michelle: Eu acho que na engenharia vai muito do que você acredita, por mais que sejam coisas padrões, você pode se inserir ali por meio da ética, no caso de projeto, com a sua criatividade. Eu vejo muita gente ali por lucro, e eu acho que você tem que proporcionar uma melhor experiência, então você aprende a dar o seu melhor e entregar mais do que te pedem.

Júlia: Qual é a sua maior gratificação dentro da engenharia?

Michelle: Ver a evolução dos meus projetos, assimilar a teoria na prática. Esses dias eu fiz um projeto e ver as minhas amigas compartilhando no Instagram e falando ‘gente, que vontade de morar nesse projeto’, e aí as pessoas comentando e receber esse tipo de feedback é muito legal.

Júlia: Uma mulher que te inspira?

Michelle: Com certeza a minha mãe, porque ela sempre me encorajou. Quando eu era menor era tímida, e as vezes eu achava que se eu fizesse alguma coisa, as pessoas iriam achar que eu sou metida e ela sempre falava “você não tem que ter vergonha de ser boa, se a sua intenção é aprender ou de passar o conhecimento”, e foi uma frase que mexeu comigo.

Júlia: Uma frase que te inspira.

Michelle: Se você quiser alguém em confiar, confie em você mesmo.

Júlia: Aonde você quer chegar?

Michelle: Eu pretendo ser boa no que eu fizer. Então eu espero conseguir fazer as coisas de forma plena no que eu tô fazendo, me tornar uma referência no que estou fazendo. E tenho vontade de passar pra frente, também quero ser professora, poder seja através de curso online ou na faculdade.

Júlia: Uma pergunta que você gostaria de fazer para a próxima entrevistada.

Michelle: Como você vê a engenharia daqui alguns anos, se há mais mulheres conquistando os seus espaços?

Júlia: E você gostaria de responder a sua própria pergunta?

Michelle: Eu tenho um otimismo muito grande em relação a isso, e eu acho que aos poucos, como você falou das professoras, eu nunca tinha parado para pensar, no técnico eu até tive, mas na faculdade não, então eu acho que vai ser lento, mas num tempo há médio e longo prazo vai mudar isso.

Júlia: Uma frase para encorajar as futuras engenheiras?

Michelle: Se alguém já conseguiu aquilo, você também é capaz. Então eu acho que diria para as pessoas que estão começando agora ter essa consciência, que independente de todos os rótulos que a gente tem, se alguém foi capaz de terminar a graduação com êxito, de pegar a primeira obra sem experiência. Eu reparei uma coisa, eu estava falando com a Raiane, que se ninguém me der uma oportunidade em obra, eu não tô nem aí, eu vou pegar assim mesmo. Eu até mandei mensagem para uma engenheira júnior no Instagram, que ela pegou a primeira obra dela como experiência. E é como uma frase que eu vi num livro “as vezes uma boa teoria é uma excelente prática”, porque você precisa dela.

EM BREVE A ENTREVISTA ESTARÁ NA ÍNTEGRA!

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