Júlia Adele Dutra Olivier
Assessora de comunicação e estudante de jornalismo

17 de fevereiro de 2022

As novas tecnologias chegam ao mundo com a data de validade definida, essa é a estratégia das empresas para lançar novos produtos e incentivar a compra das inovações mais recentes da última semana.

No início da década de 1920, quando as lâmpadas comercializadas em todo o mundo eram utilizadas por até mil horas antes de terem algum defeito. O aparente limite tecnológico, entretanto, não passava de estratégia econômica: as maiores empresas do setor, como Philips e GE, estabeleceram um acordo para limitar a vida útil das lâmpadas e estimular a contínua comercialização do produto. Conhecido como Cartel Phoebus, o caso se tornou o episódio mais notório de uma prática denominada obsolescência programada, em que as mercadorias saem das fábricas com data de validade para deixar de funcionar.

Porém, essa prática não funciona mais em uma sociedade com clientes extremamente exigentes. A estratégia atual é construída pelo incentivo à compra de novos produtos antes que a troca seja necessária por motivos técnicos. Enquanto isso, mais de 53 milhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidas todos os anos e despejadas em lixões de países subdesenvolvidos.

A obsolescência é utilizada como uma estratégia para despertar o desejo de troca de um produto relativamente novo e que esteja funcionando bem, como os equipamentos eletrônicos que são lançados todos os anos modelos mais novos e modernos com poucas alterações além da estética.

o mercado

O que move essa indústria da obsolescência é o marketing, pois sem ele, o consumismo não seria vendido tão facilmente, visto que há poucas mudanças de um ano para o outro das tecnologias.

Os mercados que mais se beneficiam são: moda, automotiva e eletrônicos.

Alguns produtos de hoje são mais duradouros do que os do passado, porém, assim como em outras indústrias, o aumento da concorrência motiva as empresas a desenvolver novas linhas e, consequentemente, incentivar o consumo.

manutenção

Com o aumento na produção e distribuição de mercadorias, o ciclo de consumo, utilização e descarte de bens ganhou uma escala maior. Um celular está bem mais barato do que anos atrás por conta da produção em massa e a manutenção dos equipamentos ficou muito cara, com peças de reposição super faturadas.

Mesmo com a expansão de recursos tecnológicos, os smartphones ainda apresentam fragilidades por conta de suas particularidades técnicas: em aparelhos antigos, as telas eram menores e revestidas de plástico, enquanto os atuais modelos contam com espessuras mais finas para acompanhar as tendências do mercado.

O Código de Defesa do Consumidor, instituído em setembro de 1990, reúne artigos que buscam coibir a obsolescência programada de produtos. Além da garantia legal de uma mercadoria, que é de 90 dias, o fabricante está obrigado a fazer o reparo de um item que apresenta defeitos não decorrentes de mau uso ou desgaste natural.

Um exemplo de processo movido contra uma empresa por efetuar a obsolescência programada é o da Apple movido pelo Código do Consumidor Português em 2021, a ação teve um custo equivalente a R$49 milhões. O processo pede indenização a 115 mil usuários portugueses de iPhone 6, 6 Plus, 6S e 6S Plus que foram afetados pela prática da fabricante de piorar as baterias dos aparelhos mais antigos.

Quanto tempo demora para um produto ser trocado pelos consumi-
dores, em anos

Geladeira
9.5
Fogão
8.3
Televisão
7.6
Lavadora de roupas
7.4
Micro-ondas
5.2
DVD ou Blu-Ray
4.1
Computador
4
Impressora
4
Câmera fotográfica
3.8
Smartphones
3

Os smartphones são recordistas em reclamações no PROCON por defeito de qualidade com 5.593 reclamações em 2014, seguido por linha branca (fogão, geladeira e máquina de lavar) com 2.426 reclamações no mesmo ano.

Descarte

O destino de quase 70% dos equipamentos eletrônicos descartados por consumidores de países desenvolvidos são lixões de cidades africanas e asiáticas. Os contêineres que desembarcam periodicamente em lixões na periferia de Accra, capital de Gana, contêm equipamentos eletrônicos rotulados como “bens seminovos”, para doação para os países subdesenvolvidos. Esses produtos, no entanto, não passam de sucata, que é queimada por trabalhadores em busca de metais como cobre, bronze e zinco.

53,6 MILHÕES

DE TONELADAS DE LIXO ELETRÔNICO DESCARTADAS EM 2019

17,4%

DO TOTAL DE LIXO SÃO RECICLADOS (9,1 MILHÕES DE TONELADAS)

Gire o quadro!

No Brasil, são produzidas 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, cerca de 9,4 toneladas por habitantes. O Centro de Descarte e Resíduos de Informática, instalado desde 2009 na Cidade Universitária da USP e que recebe até 10 toneladas de produtos eletrônicos por mês, os profissionais responsáveis pelo centro observam um padrão nos equipamentos descartados pela faculdade, como computadores e monitores: após um determinado tempo de uso, aparelhos de uma mesma marca que foram comprados juntos apresentam defeitos  idênticos logo após o período de garantia do fabricante expirar.

fontes

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